Trajetória
Nascido no coração pulsante de São Paulo em 1968, Edu Martins teve um encontro precoce com a música no seu ambiente familiar, dedilhando as cordas de um violão. Possuindo considerável maturidade musical, aos nove anos, trocou as cordas do violão pelas do baixo elétrico.
A busca por aprimoramento o levou a estudar piano e contrabaixo em renomados conservatórios. Em 1983, com apenas 15 anos, já estava imerso no mundo do jazz e da MPB, atuando em diversos grupos. Sua juventude não era empecilho para participar de gravações e apresentações em jazz clubs, iniciando assim, sua jornada como um músico profissional.
Em uma fase de intensa exploração da música brasileira e do jazz, Martins dedicou-se à transcrição de linhas interpretadas por baixistas de grande renome, como Luizão Maia, Sizão Machado, Ray Brown e Ron Carter. Logo em seguida, assumiu a responsabilidade de tocar o baixo acústico, aprofundando ainda mais sua conexão com a música.
Sob a tutela perspicaz de Sérgio Oliveira, na época o proeminente primeiro baixista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, houve um refinado aprimoramento no instrumento, fundamentado na prestigiosa escola alemã. Este aperfeiçoamento abriu portas para a participação na Orquestra Jovem Municipal de São Paulo, onde a posição de destaque como primeira estante dos contrabaixos foi alcançada. Durante uma intensa jornada de dois anos nessa renomada Orquestra, o interesse pela música clássica e de câmara, assim como pela composição e arranjos, ganhou profundidade e amadurecimento.
Durante a efervescente década de 1990, o talentoso Edu Martins teve a oportunidade de compartilhar palco e estúdio com uma galeria de artistas renomados. Entre eles estavam Jane Duboc, Toninho Horta, Fátima Guedes, Cláudio Zoli, Roberto Menescal, Léo Gandelman, César Camargo Mariano, Marcio Montarroyos, Edsel Gómez, Bob Wyatt e Frank Gambale. Com este último, Edu Martins produziu uma série de apresentações inesquecíveis que marcaram as casas de espetáculos de São Paulo e Rio de Janeiro. Esses shows memoráveis foram um testemunho do vigor e da paixão que brilham no cenário musical brasileiro.
Além das performances, passou a dedicar-se sistematicamente aos clássicos contemporâneos que mais o influenciaram: Heitor Villa-Lobos e Dmitri Shostakovich. Ao lado do violoncelista Dimus Goudarolis, contribuiu para uma variedade de apresentações e concertos de música contemporânea e no mesmo período, com diversos artistas, para gravações de discos comerciais.
Edu Martins, como compositor e arranjador, criou melodias que embalaram as campanhas nacionais e internacionais de marcas consagradas como Brahma, Bradesco, Itaú, Renault, Tim e Vivo. Sua versatilidade não se restringiu à publicidade e ao cinema, pois também destacou-se no cenário musical brasileiro, atuando como diretor musical, produtor e arranjador para artistas como Marina Lima e Cláudio Zoli.
Sua jornada de estudante em composição e arranjo, sob a tutela do Maestro Vicente Sálvia, abriu as portas para que se integrasse à equipe da prestigiosa produtora MCR/São Paulo. Ali, compartilhou seu talento e expertise com profissionais altamente qualificados, como Sérgio Muniz e Sérgio Campanele.
Em 2005, um convite marcou um momento memorável em sua carreira: Edu Martins foi convidado para participar de sessões de gravações com o lendário guitarrista de jazz George Benson. No mesmo ano, gravou o CD "Hoje", de Gal Costa, nos estúdios da renomada gravadora Trama, em São Paulo.
Em 2011, um cenário musical enriquecedor se desdobrava. Ele tornou-se o compositor, arranjador e baixista de um álbum que contava com a colaboração do saxofonista americano Dave Liebman. Este último, um ex-membro da banda de Miles Davis. Miles, um dos maiores nomes da história do jazz, tinha uma história de parcerias com grandes nomes como Charlie Parker, Thelonious Monk, John Coltrane, Kurt Weill, Alec Wilder, Cole Porter, Tom Jobim, Puccini e The Beatles. O CD fez sua estreia no Theatro São Pedro, localizado na cidade de Porto Alegre. A apresentação contou com a presença de seu grupo - Marquinhos Fê na bateria e Luiz Mauro "Maurinho" Filho no piano. Também estiveram presentes o próprio David Liebman e a Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro, que naquela ocasião estava sob a regência de Antônio Borges-Cunha.
Residindo em Porto Alegre, Edu Martins está comprometido com seu trabalho autoral e com a direção artística da orquestra Simjazz. Como compositor, arranjador, produtor e instrumentista, ele continua a aprimorar sua percepção da musicalidade brasileira, trabalhando com baixos acústicos, elétricos e eletrônicos.